sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

ANTES DA IDADE MAIOR HÁ MUITO PARA OFERECER

A ternura dos 40 é aquela fase maravilhosa da vida em que nada nos perturba adquirimos uma certa estabilidade, mas temos o bichinho da inovação a percorrer-nos o espírito e a desencadear o engenho e a aguçar a criatividade.
É uma fase engraçada da vida, em que somos algo maduros mas ainda assim existe um meio termo em que nos sentimos muito jovens para realizarmos os nossos sonhos, sem cometermos algumas “leviandades”, humm e curiosos para despoletarmos a irreverência que está escondida dentro de nós, tal como a que palpita efervescentemente no coração dos nossos filhos.
É uma espécie de ainda sou jovem…ok …gosto de ir a discotecas e festas ok… de acompanhar os meus filhos nas farras, de vez em quando, mas posso dar-lhe aqueles conselhos de amigo ou amiga que só um pai ou uma mãe podem dar, mas nada de me chamarem “cota”.
Nesta fase em que vamos percorrendo aquele caminho que nos leva à nostalgia futura das recordações da “maior idade”, sentimos que ainda temos uma enormidade de frutos para fazer brotar da nossa árvore de vida.
Mas curiosamente é nesta boa fase em que emocionalmente já conseguimos adquirir um certo controlo emocional, porque já passamos por inúmeras experiências de vida que nos fizeram crescer e vivenciar os bons e os menos bons momentos da vida, que profissionalmente nos questionamos tantas vezes porquê?
Porque é que o Estado nos oferece cada vez maior esperança de vida, cada vez mais idade para chegar à reforma?
Porque é que as empresas nos oferecem uma reforma antecipada aos 35 ou 40 anos?
Porque é que o mercado de trabalho nos “arruma no sótão dos monos velhos” aos 35 ou 40 anos?
Porque é que somos considerados obsoletos com uma enorme experiência de vida?
Porque é que somos considerados desactualizados com uma vasto leque de conhecimento profissional?
Porque é que somos colocados na “prateleira quando temos tanto para ensinar?
Porque é que ninguém nos entrevista quando temos uma panóplia enorme de cursos de formação actualizados e força de vontade para continuar a aprender cada vez mais?
Por acaso
Já alguém indagou os custos de formação que se rentabilizam ao contratar um colaborador com este potencial?
Já alguém percebeu a estabilidade emocional de um colaborador que está na ternura dos 40?
Já alguém se preocupou em avaliar a sua vontade de dar o seu melhor, de vestir a camisola, de agarrar a oportunidade com garra, fé e confiança?
Já alguém avaliou a vontade que tem uma pessoa, nesta faixa etária de deixar a sua marca, o seu cunho, de uma forma exímia e perfeita naquilo que realiza?
Já alguém percebeu o prazer que existe nesta faixa etária em aprender… e em ensinar?
Estas são questões que, muitas vezes, nos angustiam e roubam o brilho do nosso olhar, porque afectam inúmeras pessoas que se encontram no desemprego e, apesar de serem muito qualificadas, quer do ponto de vista profissional, quer do ponto de vista académico, não conseguem obter colocação profissional.
Legalmente, em Portugal não é possível praticar este tipo de discriminação, mas, de facto, este é um flagelo que continua a pulular pelo tecido empresarial português e é praticado diariamente sem qualquer fiscalização.
Ouvimos assiduamente relatos de algumas pessoas que tiveram carreiras de sucesso, foram brilhantes colaboradores de empresas e em que o factor idade levou a que acabassem a sua carreira com uma enorme cicatriz emocional a que a sociedade actual não sabe ou não quer dar resposta.
Hoje somos actores num espectáculo empresarial que dá mais valor a quadros amadores menos preparados e menos onerosos, não contando que a formação inicial, a sua adaptação ao local de trabalho, a sua ambição profissional, a sua licita vontade de progressão na carreira por vezes leva a que a taxa de rotatividade seja brutal e acabe por não justificar o baixo custo encapotado do investimento.
Todos temos direitos e deveres no mundo do trabalho. Temos direito o trabalho, com justa remuneração, temos direito á aprendizagem, à progressão justificada na nossa carreira e à nossa reforma no seu tempo certo sem antecipações e cicatrizes.
Os jovens de hoje serão os eternos reformados/desempregados de amanhã que com 40 anos não têm emprego ou não conseguem qualquer colocação. Que tipo de sociedade estamos a criar?
Será que no paradigma actual de mudança em que estamos a operar em Portugal esta não seria uma realidade onde deveríamos actuar, com vista a uma sustentabilidade futura do Estado?
Há que mudar mentalidades, nem tudo o que parece é, muitas vezes a rentabilização não se espelha num cenário de poupança no imediato.

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